Ela decidiu, depois de muita insistência, dividir o táxi. Eu não a conhecia. Simplesmente saímos da mesma festa, na mesma hora, na mesma noite fria e promissora.
Talvez ela não tivesse percebido. Mas havia algo nas estrelas, uma promessa. Algo dizia que nossas vidas poderiam mudar se tomássemos as decisões certas. Deixei o ar fresco invadir meus pulmões e me lembrar de como eu estava vivo. O mesmo ar trouxe até mim o perfume doce que ela usava. Seus cabelos castanhos soltos sobre os ombros, uma franja lisa cobrindo parcialmente seu olho esquerdo, seus lábios cobertos por uma fina camada de batom grená. Uma sombra escura em seus olhos, destacando o tom azul que emanava de sua íris e se misturava com a luz natural das estrelas azuis. Seu vestido era branco e caía perfeitamente em seu corpo bem desenhado. Uma linda garota com seus aproximados vinte anos. Mas eu não a olhava com desejo, seria indelicadeza da minha parte. Ela era tão acima disso, de flertes infantis, trocas de olhares. Parecia ser o tipo de garota moldada para casar com um homem cheio de medalhas cravadas num paletó azul, uma espada emoldurada e um cavalo branco. Esse homem iria lhe trazer flores todos os dias e sair para a mais nobre das guerras, com a promessa de que voltaria.
Ela não parecia me notar, a princípio. Estava preocupada demais procurando seu celular na bolsa. Suas mãos tão ágeis e delicadas dançavam sobre o couro do banco traseiro, sentindo-se incomodada com a minha presença, agora notada. Não poderia esperar menos, ela não me conhecia e parecia ser tão íntegra. Decidi não chamar a atenção, nem bancar o idiota. Seria um erro. Tudo o que eu precisava era continuar sentindo aquele doce perfume por mais alguns minutos.
O táxi se moveu. Decidi apreciar o aroma e admirar a noite. Colei o meu rosto no vidro, tentando me manter o mais “invisível” possível. Era estranho ficar nervoso ao lado de alguém como ela. Sua beleza não era intimidadora, mas me deixava sem palavras, sem reações inteligentes.
Então eu ouvi um soluço. Hesitei, decidi ignorar, mas ela parecia estar chorando. Ouvi o som do zíper da bolsa se abrir e o som de papel se rasgando. Outro soluço, e silêncio. Não sabia, mas anjos também choram. Afinal, são perfeitos, e chorar é a mais perfeita ação, humana ou sobrenatural.
Deixei toda a minha atenção se prostrar diante das luzes da cidade, mas era impossível não ouvir os soluços. Fosse à dor que ela sentisse, eu quase podia sentir também. Lancei um rápido olhar ao taxista. Completamente indiferente à tristeza da jovem. Ignorei os dois. Ao taxista, por não fazer diferença. A ela, por se tratar de um sofrimento particular.
Subitamente, senti um dedo me tocar no ombro. Virei-me, surpreso, intimamente contente, mas me empenhei em não demonstrar a satisfação. Ela decidira conversar, talvez.
_ Tem isqueiro? – ela pediu.
Eu a observei por alguns segundos. Ela me lançou um olhar e, quando o silêncio se tornou constrangedor demais, eu balbuciei.
_ Você fuma?
Pergunta estúpida! “E daí, se ela fuma?” Era linda, de fato, mas não perfeita como desejava ser. Estava tão predisposta a vícios quanto eu. Mas ainda que eu tivesse um isqueiro, com certeza não daria. Não queria manchar aquela imagem perfeita com um cigarro sujo.
Ela revirou os olhos com a minha pergunta.
_ O que tem de errado nisso? É só um cigarro.
_ Eu não tenho. Sinto muito – dei de ombros, sorrindo feito bobo.
Ela parou por um momento, encarou o cigarro em sua mão, com uma expressão de indecisão, uma mescla de nojo e desejo. Finalmente, ela abriu o vidro e lançou o cigarro para fora do táxi.
_ Melhor assim – ela murmurou.
_ Boa escolha – respondi instintivamente.
Ela se virou para mim, levemente surpresa. “Quem falou com você?”, provavelmente foi seu pensamento. Serio o mais óbvio, afinal. Mas apenas sorriu educadamente e permaneceu em silêncio. Ela cruzou os braços e começou a encarar o céu, como eu fizera antes.
Parecia absorta, pensativa.
_ Está uma noite muito bonita – ela murmurou.
Eu a fitei mais uma vez. Sim, eu já sabia. Só agora você estava percebendo.
_ As estrelas estão sorrindo – eu murmurei em resposta.
Ela riu levemente, não como deboche. Realmente achara engraçado.
_ Como você sabe?
Eu dei de ombros.
_ Elas estão azuis. Quando elas estão felizes, ficam azuis... Tudo fica bem.
Ela fez um breve silêncio.
_ Não está azul para todos nós. – ela disse.
_ A noite ainda não acabou – eu arrisquei um flerte. Mas, estranhamente, eu queria confortá-la, dizer algo que pudesse lhe dar esperança. Por que eu estava tão preocupado com uma estranha?
_ Talvez tenha razão – ela disse.
O táxi continuou seu trajeto, enquanto o silêncio se restaurava aos poucos, até não restar nada a não ser os ruídos da grande cidade iluminada.
Seu olhar se perdeu na imensidão negra coalhada de um anil reluzente. Senti uma estranha vontade de lhe dizer que estaria ali para o que ela precisasse, mas temi a forma como ela me interpretaria.
Não sou esse tipo de pessoa. Minha timidez sempre foi um empecilho para avançar em qualquer relacionamento. Naquele momento, no entanto, nem mesmo eu sabia o que queria.
_ Você... Gostou da festa? – arrisquei a pergunta.
Eu a fitei rapidamente. O olhar dela em minha direção varreu a pergunta para fora do táxi. Simplesmente sorri, percebendo que tocara no ponto que a machucava. Alguma coisa naquela festa lhe trouxera uma profunda angústia, agora estampada em seu rosto. Desejei não ter perguntado nada. Odeio tentar consertar as coisas e piorar tudo.
Finalmente, ela suspirou, como se preparasse para responder.
_ Não gosto de festas. – ela disse.
Não era apenas isso, óbvio. Mas não insisti.
_ Estava mesmo muito caída. – respondi, tentando parecer natural.
Ela me encarou, levemente frustrada.
_ O que você quer? Queria dividir o táxi só para ter uma companhia? Não conseguiu cortejar ninguém na festa? Por acaso eu sou sua última opção.
Eu a encarei, atordoado, sentindo aquela explosão de palavras me acertarem como brasa. Fiquei rubro, senti minhas orelhas esquentarem, mas simplesmente não consegui encontrar uma resposta. Eu não era esse tipo de pessoa. Mas como convencê-la disso? Não. Seria impossível.
Fiquei calado, e voltei a admirar o céu. Ela continuou me encarando com aqueles olhos azuis e penetrantes por mais alguns segundos. Por fim, enfiou a mão na bolsa e falou com o taxista.
_ Por favor, pode me deixar aqui.
O Taxista reduziu, mas não parou.
_ Ainda não chegamos onde a senhorita queria, madame. – ele falou educadamente – falta um bocado ainda.
_ Não importa, posso caminhar até minha casa.
Ela me lançou um olhar de ultimato, como se me culpasse por todos os seus problemas. Aquilo me deixou furioso, a ponto de berrar contra ela e despejar minhas frustrações sobre ela também. Mas eu me controlei. Decidi entender o lado dela e aceitar seu olhar rude, pronto para oferecer a outra face, se assim fosse preciso. Tudo para tornar suportável o seu dia.
Ela abriu a porta do carro, pronta para sair.
_ Boa noite – eu sussurrei – espero que as coisas melhorem pra você.
Ela parou por um breve segundo, mas, dessa vez, não dirigiu seu olhar a mim.
A garota se levantou, depositou o dinheiro nas mãos do taxista e, sem me dirigir uma única palavra, virou-se, em direção ao outro lado da rua, atravessando o sinal vermelho. Caminhou pela calçada, com passos lentos e pensativos. Estava para virar a esquina, quando lançou um último olhar ao táxi. Ela me encarou mais uma vez, seus olhos tão inexprimíveis, confidentes. Então voltou ao seu trajeto, sumindo do meu campo de visão.
_ Moça estranha – murmurou o motorista.
_ Não – eu respondi – Ela é normal, como todas as outras... Talvez seja esse o problema.
_ Pode ser... – dizendo isso, o taxista virou o volante e voltou para o asfalto, enquanto as luzes amarelas dos postes refletiam no insul-film.
Mostrando postagens com marcador Histórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Histórias. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Semáforo
Existe um momento, talvez único e inconfundível, em que o homem descobre ser fraco e, ao olhar a sua volta, enxerga nada além de uma grande avenida movimentada, um céu cinza, um semáforo vermelho e um amontoado de rostos estranhos. Desconhecidos.
Nesse mesmo momento, como se o pensamento fosse a extensão ilimitada de um único segundo, um monte de ideias começam a surgir na mente desse mesmo homem. “Aquela mulher bem ali”, pensa, “distraída, olhando no sentido contrário à mão da avenida”. Mas a mulher não é tão interessante, e logo perde a graça observá-la.
Entre todos aqueles rostos, nota-se uma criança chorosa apertando fervorosamente os dedos exaustos de um pai estressado. Os dois esperam o semáforo que acaba de tingir-se de verde.
“Pobre criança”, pensa, “nova demais para dizer o que pensa e, ainda que pudesse... Nova demais para ser ouvida”. Procura-se nos rostos, mas não há um sorriso. Não aquele espontâneo, cheio de vida e vontade. Não, apenas um sorriso frio, como uma barreira para conter os males do mundo e, no processo, barrar até mesmo os bons momentos. Uma senhora passa. Um moletom cinza e uma saia comprida, bengala e olhos pesados, com as pálpebras enrugadas escorrendo no canto das olheiras. Ela não diz nada, apenas caminha pelo passeio. Não há nada legível nela.
Mais uma vez, nota-se a mulher distraída do outro lado da rua. Olhando o sentido contrário à mão da avenida. Algumas pessoas nem ligam para o trio de luz acima de suas cabeças, dizendo “vá”, ou “espere”. Não, alguns ignoram.
O céu cinza é profanado por uma figura metálica e imponente, rasgando o céu com velocidade admirável, enquanto seu zumbido, oriundo das turbinas, abafa por um segundo as conversas que pairam no ar.
Uma garotinha, debruçada no ombro da mãe, cobre os ouvidos para impedir o som ensurdecedor, ela faz uma careta e simula um choro. A mãe, pacientemente, apalpa as costas da filha, fazendo “shhh, vai passar, querida” e, para minha surpresa, é bastante convincente. Sim, minha surpresa, porque sou eu o homem na calçada, olhando o movimento, fitando os rostos desconhecidos e estremecendo a cada sorriso frio, sem vontade. Sou eu o homem que se viu fraco.
A mulher do outro lado da rua, aquela distraída de antes, ainda não se toca, parece meio confusa. Seus olhos não estão tão interessados no movimento da rua. Olhando para o sentido contrário à mão da avenida. O semáforo alterna mais uma vez. Uma seguinte leva de pessoas passa. A mulher, quase pronta para atravessar, deixa cair um chaveiro prateado. Prateado, pelo menos é o que parece, pois sua luz cintila por um breve segundo. Mas poderia ser bem qualquer coisa, vidro, ouro... Mas cai, independente do que seja. E ela se abaixa para pegar. A mulher, então, detém-se em um folheto de propagandas. Promoções de sapatos, penso eu. Provavelmente nunca o saberei.
Enfim vem então a manada civilizada, pisoteando educadamente os pés uns dos outros, dizendo “opa, sinto muito”, “com licença, por favor”, “não é nada, está tudo bem”, “fique a vontade”, “foi mal, chapa”. As frases automáticas, então, se misturam e, logo, não é nada além de um burburinho.
O sinal troca, mais rápido do que eu percebo. Não sei porque ainda não atravessei, mas a manada se afasta e a rua se abre para os veículos. A mulher, ainda me referindo à distraída, levanta-se com, adivinhe, distração. O chaveiro está bem seguro em suas mãos naquele momento. Ela olha para o lado, não o certo. O sentido contrário à mão da avenida.
Então ela avança. Desrespeitando as leis da selva, deixando para trás a manada impaciente, ela se adianta. Mal sabe ela que o semáforo grita verde. Mas a mulher não percebe, faz menção de colocar o chaveiro dentro da bolsa.
Alguém gritou de susto, tenho quase certeza. “Não adianta”, pensei comigo.
Um ônibus buzinou. “Não adianta”, pensei comigo.
A mulher não notou, estava olhando o sentido contrário.
O objeto cintilante voou. Acima de nossas cabeças, acima do semáforo, brilhando, não vermelho, verde ou amarelo. Era prateado, um brilho reluzente, como uma quarta luz, outra bola brilhante sobrevoando o asfalto. E a luz se apagou.
Não sei, ao certo, o sinal que ela queria nos dar. Mas a mulher, distraída que estava, não notou, nem por um segundo, seu objeto brilhar como uma estrela cadente. Tão fulminante, rápido que, não sei ao certo, talvez eu tenha sido o único a perceber.
O resto do dia, a avenida é interditada. Não há mão, nem para um lado, nem para o outro. Não há a manada, não há ninguém dando ouvidos às bolas incandescentes. Mas nem ali, no meio da rua, sobre as listras brancas, uma coisinha brilha. Um chaveiro prateado, isso agora o sei. A silhueta de um anjo.
Nesse mesmo momento, como se o pensamento fosse a extensão ilimitada de um único segundo, um monte de ideias começam a surgir na mente desse mesmo homem. “Aquela mulher bem ali”, pensa, “distraída, olhando no sentido contrário à mão da avenida”. Mas a mulher não é tão interessante, e logo perde a graça observá-la.
Entre todos aqueles rostos, nota-se uma criança chorosa apertando fervorosamente os dedos exaustos de um pai estressado. Os dois esperam o semáforo que acaba de tingir-se de verde.
“Pobre criança”, pensa, “nova demais para dizer o que pensa e, ainda que pudesse... Nova demais para ser ouvida”. Procura-se nos rostos, mas não há um sorriso. Não aquele espontâneo, cheio de vida e vontade. Não, apenas um sorriso frio, como uma barreira para conter os males do mundo e, no processo, barrar até mesmo os bons momentos. Uma senhora passa. Um moletom cinza e uma saia comprida, bengala e olhos pesados, com as pálpebras enrugadas escorrendo no canto das olheiras. Ela não diz nada, apenas caminha pelo passeio. Não há nada legível nela.
Mais uma vez, nota-se a mulher distraída do outro lado da rua. Olhando o sentido contrário à mão da avenida. Algumas pessoas nem ligam para o trio de luz acima de suas cabeças, dizendo “vá”, ou “espere”. Não, alguns ignoram.
O céu cinza é profanado por uma figura metálica e imponente, rasgando o céu com velocidade admirável, enquanto seu zumbido, oriundo das turbinas, abafa por um segundo as conversas que pairam no ar.
Uma garotinha, debruçada no ombro da mãe, cobre os ouvidos para impedir o som ensurdecedor, ela faz uma careta e simula um choro. A mãe, pacientemente, apalpa as costas da filha, fazendo “shhh, vai passar, querida” e, para minha surpresa, é bastante convincente. Sim, minha surpresa, porque sou eu o homem na calçada, olhando o movimento, fitando os rostos desconhecidos e estremecendo a cada sorriso frio, sem vontade. Sou eu o homem que se viu fraco.
A mulher do outro lado da rua, aquela distraída de antes, ainda não se toca, parece meio confusa. Seus olhos não estão tão interessados no movimento da rua. Olhando para o sentido contrário à mão da avenida. O semáforo alterna mais uma vez. Uma seguinte leva de pessoas passa. A mulher, quase pronta para atravessar, deixa cair um chaveiro prateado. Prateado, pelo menos é o que parece, pois sua luz cintila por um breve segundo. Mas poderia ser bem qualquer coisa, vidro, ouro... Mas cai, independente do que seja. E ela se abaixa para pegar. A mulher, então, detém-se em um folheto de propagandas. Promoções de sapatos, penso eu. Provavelmente nunca o saberei.
Enfim vem então a manada civilizada, pisoteando educadamente os pés uns dos outros, dizendo “opa, sinto muito”, “com licença, por favor”, “não é nada, está tudo bem”, “fique a vontade”, “foi mal, chapa”. As frases automáticas, então, se misturam e, logo, não é nada além de um burburinho.
O sinal troca, mais rápido do que eu percebo. Não sei porque ainda não atravessei, mas a manada se afasta e a rua se abre para os veículos. A mulher, ainda me referindo à distraída, levanta-se com, adivinhe, distração. O chaveiro está bem seguro em suas mãos naquele momento. Ela olha para o lado, não o certo. O sentido contrário à mão da avenida.
Então ela avança. Desrespeitando as leis da selva, deixando para trás a manada impaciente, ela se adianta. Mal sabe ela que o semáforo grita verde. Mas a mulher não percebe, faz menção de colocar o chaveiro dentro da bolsa.
Alguém gritou de susto, tenho quase certeza. “Não adianta”, pensei comigo.
Um ônibus buzinou. “Não adianta”, pensei comigo.
A mulher não notou, estava olhando o sentido contrário.
O objeto cintilante voou. Acima de nossas cabeças, acima do semáforo, brilhando, não vermelho, verde ou amarelo. Era prateado, um brilho reluzente, como uma quarta luz, outra bola brilhante sobrevoando o asfalto. E a luz se apagou.
Não sei, ao certo, o sinal que ela queria nos dar. Mas a mulher, distraída que estava, não notou, nem por um segundo, seu objeto brilhar como uma estrela cadente. Tão fulminante, rápido que, não sei ao certo, talvez eu tenha sido o único a perceber.
O resto do dia, a avenida é interditada. Não há mão, nem para um lado, nem para o outro. Não há a manada, não há ninguém dando ouvidos às bolas incandescentes. Mas nem ali, no meio da rua, sobre as listras brancas, uma coisinha brilha. Um chaveiro prateado, isso agora o sei. A silhueta de um anjo.
Categories
Histórias

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Mercearia
Vila pequena, era o que havia por entre aquelas bandas. Apenas uma praça, gente bem vestida, coisa de interior que só se vê em quadro pintado a óleo. Asfalto não havia, só rua cheia de pedra, tão parecida era com pé-de-moleque, que dava vontade de morder a cada passo. Poste, só se fosse lampião, mesmo porque eletricidade não se via por ali. Quando o sol ficava dourado, como naquele dia, dava pra assistir, de longe, o passeio que os pardais namoradeiros ensaiavam. Uns se faziam de difíceis, outros logo cediam espaço entre as asas.
O cheiro de café era coisa comum, histórias de dar medo em criança levada eram notórias e, vez ou outra, os mais velhos faziam aquela cessão de causos, só pra ter certeza de que molecada nenhuma iria esquecer das assombrações.
Além da boa gente, tinha casa acolhedora, simples, com janelas de madeira floreadas com cortinas tecidas pelas beatas que, vez ou outra, abandonavam as agulhas para se espetarem em suas próprias línguas. Entre uma casa amarela e outra não sei que cor, tinha uma mercearia. Só uma, onde se vendia de nada um pouco, de tudo muito.
Na venda o homem servia a todos, mas se lhe pediam o que não tinha, tratava logo de falar “chispa” e já ficava carrancudo.
Veio tão logo o menino, pequeno, ligeiro, inteligente como velho de muitas vidas, que, como qualquer um da sua idade, gostava de falar e ser respondido. Se não tinha a atenção desejada, logo insistia, até desistir de chatear. Naquele dia, porém, não foi de boa vontade, foi ordem da mãe, que fez o menino deslocar, de casa, até a mercearia.
- Seu môço, me vê um pouco de simpatia, que é pra mãe faze o mingal.
- Tem não – diz, carrancudo, o homem da mercearia – agora chispa que eu já vô fechá.
-Seu môço, então me vê um cadim de alegria, que é pra mãe fazê compota.
- Tem não. Agora chispa que eu tenho mais o que fazê.
- Seu môço, vê então se tem um poquinho só de boa-fé, que é pra mãe fazê pão doce.
O seu môço logo se impacientou.
- Tem aqui não, diacho. Agora foge, se não chamo o delegado.
- Ô, seu môço. Intão o que o senhor tem aí pra mãe cozê?
- Só sobrô saudade, se ocê quisé...
Menino faz cara de quem pensa muito, depois diz, sorrindo:
- Quero não. Lá em casa ainda sobrô um cadim de esperança.
- Ah! – logo sorri o dono da mercearia, já interessando no produto de seu intento – Esperança? Sinhora sua mãe num vende não?
- Ah, não, seu môço. Esperança tem, mas cabô de acabá o restim da boa-vontade que tinha. Vô-me embora, pra num incomodá o seu delegado.
E sai rindo o menino, endiabrado, da cara do moço que tinha de nada um pouco, de tudo muito.
O cheiro de café era coisa comum, histórias de dar medo em criança levada eram notórias e, vez ou outra, os mais velhos faziam aquela cessão de causos, só pra ter certeza de que molecada nenhuma iria esquecer das assombrações.
Além da boa gente, tinha casa acolhedora, simples, com janelas de madeira floreadas com cortinas tecidas pelas beatas que, vez ou outra, abandonavam as agulhas para se espetarem em suas próprias línguas. Entre uma casa amarela e outra não sei que cor, tinha uma mercearia. Só uma, onde se vendia de nada um pouco, de tudo muito.
Na venda o homem servia a todos, mas se lhe pediam o que não tinha, tratava logo de falar “chispa” e já ficava carrancudo.
Veio tão logo o menino, pequeno, ligeiro, inteligente como velho de muitas vidas, que, como qualquer um da sua idade, gostava de falar e ser respondido. Se não tinha a atenção desejada, logo insistia, até desistir de chatear. Naquele dia, porém, não foi de boa vontade, foi ordem da mãe, que fez o menino deslocar, de casa, até a mercearia.
- Seu môço, me vê um pouco de simpatia, que é pra mãe faze o mingal.
- Tem não – diz, carrancudo, o homem da mercearia – agora chispa que eu já vô fechá.
-Seu môço, então me vê um cadim de alegria, que é pra mãe fazê compota.
- Tem não. Agora chispa que eu tenho mais o que fazê.
- Seu môço, vê então se tem um poquinho só de boa-fé, que é pra mãe fazê pão doce.
O seu môço logo se impacientou.
- Tem aqui não, diacho. Agora foge, se não chamo o delegado.
- Ô, seu môço. Intão o que o senhor tem aí pra mãe cozê?
- Só sobrô saudade, se ocê quisé...
Menino faz cara de quem pensa muito, depois diz, sorrindo:
- Quero não. Lá em casa ainda sobrô um cadim de esperança.
- Ah! – logo sorri o dono da mercearia, já interessando no produto de seu intento – Esperança? Sinhora sua mãe num vende não?
- Ah, não, seu môço. Esperança tem, mas cabô de acabá o restim da boa-vontade que tinha. Vô-me embora, pra num incomodá o seu delegado.
E sai rindo o menino, endiabrado, da cara do moço que tinha de nada um pouco, de tudo muito.
Categories
Histórias

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Reflexofobia - Parte I
A noite veio arrebatadora, afastando a luz da pequena cidade de Verdanna, em algum lugar no mapa que não faria diferença ser contado.
Mas não era uma noite qualquer. Parecia mais negra do que todo o resto, como se nenhuma outra expectativa existisse abaixo do firmamento. As constelações se recusaram a iluminar os passos dos andarilhos noturnos. Todos estavam à mercê da grande treva que engolia a cidade.
Mas, entre numerosos lugares para se viver naquela cidade, qualquer um seria seguro. Exceto... um.
A escola de Verdanna era uma bela construção de época vitoriana, com duas torres nas extremidades, corredores, salas espalhadas. Uma construção de tijolos avermelhados erguido no fim de uma estrada de terra, onde todos os jovens da cidade freqüentavam. Os corredores eram largos, com janelas espaçosas e portas de madeira de se abriam com um rangido curioso. A entrada era um muro de concreto bem seguro, um portão de barras de ferro escuras e grossas, com adornos de querubins feitos de metal. Havia um pátio a céu aberto, com mesas de madeira uma fonte no centro, uma garotinha de pedra com um guarda-chuva.
Mas o colégio de Verdanna não se resumia apenas a construções.
As paredes respiravam.
De dia, um lugar tranquilo e ideal para se estudar. À noite, o domínio de presenças desconhecidas, donos misteriosos de passos sorrateiros que vagavam pelas escadas e abriam portas sem nenhuma explicação. As janelas viviam fechadas. Diziam que, quem quer que perambule por lá a noite, não gosta da brisa noturna.
Como toda lenda urbana, existem os céticos. Mentes que não confiam em nada que não vejam, mentes ignorantes ao medo.
Do lado de fora, quatro garotos, cerca de dezesseis anos cada um, esperavam, apreensivos. Esperavam por alguém.
- Ele já entrou faz algum tempo – murmurou o mais alto do grupo.
- Aposta é aposta, pessoal – falou um deles em defesa própria.
- É loucura...
Um dos garotos não parecia disposto a falar. Estava distraído, seus olhos fixos na construção imponente. Havia uma leve camada de névoa cobrindo o pátio, rodopiando e subindo vagarosamente, cobrindo o segundo andar.
- Ela sabe que o Victor entrou – murmurou o garoto.
Os olhos dos outros três acompanharam o amigo, assistindo a névoa crescente.
Isso é névoa? – perguntou um deles.
- Não – o outro disse com voz trêmula – a casa está com frio. Victor deixou uma janela aberta.
********************************************************************
O corredor principal que dava direto à entrada se dividia logo mais a frente, para a esquerda e direita. As primeiras portas eram a diretoria, secretaria, tesouraria e outras “ias” que faziam da escola um instituto de ensino. Mas, naquele momento, Victor não se importava com termos acadêmicos Estava mais preocupado em encontrar o espelho, tirar uma foto e dar o fora.
Sua testa estava úmida. Um suor frio começou a atravessar os poros de sua pele. Os cabelos, úmidos, começaram a gotejar. Victor levou a manga da camisa à testa, enxugando o suor. Estranhamente, sentia um calor sem nenhuma origem, como se as portas entreabertas fossem gargantas que baforejavam um hálito quente e apavorante em sua presa. Em Victor.
Seus passos se demoraram no corredor principal, atento aos movimentos. No instante em que colocara os pés ali, sabia que não era bem-vindo. Alguém ali o queria longe. Mas precisava pagar a aposta. Seria rápido, sem demora.
- Com licença... – Victor valou num sussurro – sinto muito incomodar... Eu só quero tirar uma foto do espelho.
Ele esperou por uma resposta. Suspirou, sentindo-se um idiota. Conversar sozinho era o início da beira à loucura. Continuou caminhando, sentindo a tensão passar por todo o seu corpo.
Seu tênis fazia um leve “inhec” a cada passo, seus olhos atentos fitavam todas as portas. Sentiu o medo dominando-o, tornando-o submisso aos sentimentos de pavor. Mas já estava ali, não podia voltar, ou seria motivo de chacota. Como se isso fosse mais importante do que continuar vivendo.
Chegou ao fim do corredor principal. A cada passo suas opções diminuíam, e sua única alternativa era continuar.
Victor lançou um último olhar à porta de entrada. Seus olhos ficaram vidrados por um momento.
Havia alguém do outro lado. Um vulto era claramente visível pelo vidro opaco. As luzes fracas do poste do pátio mostravam que alguém, provavelmente uma criança, esperava do lado de fora. Esperava. Ou vigiava. Era difícil entender.
Victor chacoalhou a cabeça. Era fruto de sua imaginação. Seus olhos pousaram novamente na porta.
Não. Não era sua imaginação. A figura ainda estava lá. Então ela se moveu. Uma mão tocou o vidro. Victor podia ver claramente a palma da mão rosada.
Se não era imaginação, iria fingir que não estava vendo nada.
Virou as costas, ignorando a porta de entrada e a estranha figura. Tomou o corredor da esquerda, caminhando silenciosamente, engolindo em seco. Havia alguém respirando. Não era ele. Correu até o corredor principal e lançou um rápido olhar novamente à porta de entrada. Ela ainda estava lá.
Então havia mais de um dentro da escola.
Continua...
Mas não era uma noite qualquer. Parecia mais negra do que todo o resto, como se nenhuma outra expectativa existisse abaixo do firmamento. As constelações se recusaram a iluminar os passos dos andarilhos noturnos. Todos estavam à mercê da grande treva que engolia a cidade.
Mas, entre numerosos lugares para se viver naquela cidade, qualquer um seria seguro. Exceto... um.
A escola de Verdanna era uma bela construção de época vitoriana, com duas torres nas extremidades, corredores, salas espalhadas. Uma construção de tijolos avermelhados erguido no fim de uma estrada de terra, onde todos os jovens da cidade freqüentavam. Os corredores eram largos, com janelas espaçosas e portas de madeira de se abriam com um rangido curioso. A entrada era um muro de concreto bem seguro, um portão de barras de ferro escuras e grossas, com adornos de querubins feitos de metal. Havia um pátio a céu aberto, com mesas de madeira uma fonte no centro, uma garotinha de pedra com um guarda-chuva.
Mas o colégio de Verdanna não se resumia apenas a construções.
As paredes respiravam.
De dia, um lugar tranquilo e ideal para se estudar. À noite, o domínio de presenças desconhecidas, donos misteriosos de passos sorrateiros que vagavam pelas escadas e abriam portas sem nenhuma explicação. As janelas viviam fechadas. Diziam que, quem quer que perambule por lá a noite, não gosta da brisa noturna.
Como toda lenda urbana, existem os céticos. Mentes que não confiam em nada que não vejam, mentes ignorantes ao medo.
Do lado de fora, quatro garotos, cerca de dezesseis anos cada um, esperavam, apreensivos. Esperavam por alguém.
- Ele já entrou faz algum tempo – murmurou o mais alto do grupo.
- Aposta é aposta, pessoal – falou um deles em defesa própria.
- É loucura...
Um dos garotos não parecia disposto a falar. Estava distraído, seus olhos fixos na construção imponente. Havia uma leve camada de névoa cobrindo o pátio, rodopiando e subindo vagarosamente, cobrindo o segundo andar.
- Ela sabe que o Victor entrou – murmurou o garoto.
Os olhos dos outros três acompanharam o amigo, assistindo a névoa crescente.
Isso é névoa? – perguntou um deles.
- Não – o outro disse com voz trêmula – a casa está com frio. Victor deixou uma janela aberta.
********************************************************************
O corredor principal que dava direto à entrada se dividia logo mais a frente, para a esquerda e direita. As primeiras portas eram a diretoria, secretaria, tesouraria e outras “ias” que faziam da escola um instituto de ensino. Mas, naquele momento, Victor não se importava com termos acadêmicos Estava mais preocupado em encontrar o espelho, tirar uma foto e dar o fora.
Sua testa estava úmida. Um suor frio começou a atravessar os poros de sua pele. Os cabelos, úmidos, começaram a gotejar. Victor levou a manga da camisa à testa, enxugando o suor. Estranhamente, sentia um calor sem nenhuma origem, como se as portas entreabertas fossem gargantas que baforejavam um hálito quente e apavorante em sua presa. Em Victor.
Seus passos se demoraram no corredor principal, atento aos movimentos. No instante em que colocara os pés ali, sabia que não era bem-vindo. Alguém ali o queria longe. Mas precisava pagar a aposta. Seria rápido, sem demora.
- Com licença... – Victor valou num sussurro – sinto muito incomodar... Eu só quero tirar uma foto do espelho.
Ele esperou por uma resposta. Suspirou, sentindo-se um idiota. Conversar sozinho era o início da beira à loucura. Continuou caminhando, sentindo a tensão passar por todo o seu corpo.
Seu tênis fazia um leve “inhec” a cada passo, seus olhos atentos fitavam todas as portas. Sentiu o medo dominando-o, tornando-o submisso aos sentimentos de pavor. Mas já estava ali, não podia voltar, ou seria motivo de chacota. Como se isso fosse mais importante do que continuar vivendo.
Chegou ao fim do corredor principal. A cada passo suas opções diminuíam, e sua única alternativa era continuar.
Victor lançou um último olhar à porta de entrada. Seus olhos ficaram vidrados por um momento.
Havia alguém do outro lado. Um vulto era claramente visível pelo vidro opaco. As luzes fracas do poste do pátio mostravam que alguém, provavelmente uma criança, esperava do lado de fora. Esperava. Ou vigiava. Era difícil entender.
Victor chacoalhou a cabeça. Era fruto de sua imaginação. Seus olhos pousaram novamente na porta.
Não. Não era sua imaginação. A figura ainda estava lá. Então ela se moveu. Uma mão tocou o vidro. Victor podia ver claramente a palma da mão rosada.
Se não era imaginação, iria fingir que não estava vendo nada.
Virou as costas, ignorando a porta de entrada e a estranha figura. Tomou o corredor da esquerda, caminhando silenciosamente, engolindo em seco. Havia alguém respirando. Não era ele. Correu até o corredor principal e lançou um rápido olhar novamente à porta de entrada. Ela ainda estava lá.
Então havia mais de um dentro da escola.
Continua...
Categories
Histórias

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Pedaços
Quebramos a cara. Nos desfazemos em derrotas, recolhemos pedaços de nós mesmos e, numa dessas, sentimos que alguma coisa acabou se perdendo no caminho, como aquela última peça do quebra-cabeça que se perdeu no fundo do baú. Estranho como, de repente, um simples auto-fragmento parece fazer tanta falta. E faz mesmo.
Encaramos o espelho e, ainda que o reflexo revele os mesmos olhos e cabelos, ainda falta algo ali, algo que a luz com todos os seus espectros não conseguiu refletir. E você vai procurar o que falta em todos os lugares. Vai caminhar pelos campos de batalha em que a derrota desabou sobre você, vai procurar nos bastidores do fracasso, mas não vai encontrar, porque, de uma forma muito estranha, uma rajada de vento cheia de obscuras intenções espalhou esses fragmentos. E o espelho acaba acusando a falha.
Ah, então você volta mancando. Deixa o campo de batalha, com sua lança aos estilhaços, um escudo trincado e os olhos com discretas lágrimas orgulhosas que, para não desabarem no chão, prendem-se aos lábios e queixo.
Porque é bem verdade o que dizem, "a vida é um campo de batalha", e dificilmente você vê alguém baixando a guarda. E você pode ter mil e um motivos para lutar, mas não vale a pena até ter um que seja o certo.
Não se preocupe. Cedo ou tarde você vai cruzar o caminho de novos inimigos, e uma nova luta será travada. Sabem? A derrota faz parte, mas a vitória vem quando menos se espera. E, quando vencemos, ganhamos um presente. Mil peças se espalham em nosso caminho e, satisfeito, você descobre que uma delas sacia o eco deixado pelo último duelo.
Não se preocupe com os pedaços que perdemos no caminho. Lembre-se que, lá na frente, a vitória irá compensar a perda com um encaixe perfeito, e você mudará constantemente. Afinal, ninguém nasce apenas para morrer, certo?
Autor: Pedro Almada.
Autor: Pedro Almada.
Categories
Histórias

sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Minha Opinião #1
"Pois é. Tá cheio de blogs por aí, com um montão de seguidores e um montão de editoras parceiras. Mas se for contar nas resenhas, acabam quebrando a cara!”, comentou livre, risonha e espontânea. Tempos depois, receberia a réplica “Com que moral você diz isso? Tipo assim: todos os blogs literários escrevem resenhas exatamente como você escreve. E quando não igual, também não ficam lá muito longe. Fora os que se inspiram no seu estilo e a ti, admiram.” (Trecho retirado do blog Braunne)”
Enfim, porque criar um post inovador, se é muito mais fácil, copiar um qualquer e mudar algumas palavras. A blogosfera é cheia de blogs iguais e sem criatividade nenhuma, o que você encontra em um blog encontra em outro com uma frase a menos.
Odeio ainda mais aqueles que dizem que “Fazemos tudo pelo leitor”, deixamos de ser hipócritas, você pode até se interessar pelo leitor, pois é ele que sustenta seu blog, mas é muito difícil você se preocupar mais com ele do que com si próprio.
E existe também os sem opinião própria, vou dar um belo exemplo, pegue cinco blogs dos quais você segue, e procure por A Esperança, se pelo menos três destes tiverem uma tag sobre, você pode aceitar que estou com a razão. E se existir mesmo esse número, peço que você leia os três, (ou mais) e me diga se as palavras não são parecidas.
E é exatamente por isso, que não posto todos os lançamentos, geralmente nem os posto, para não cair na mesmice de todos os blogs, tem alguns ainda que agrupam os lançamentos, em fotos. Voltamos ao ponto de “furtar” as palavras e somente modificar.
E o tipo vendável, o qual é fácil achar, geralmente é aquele que seu blog não tem essência e que só está ali para ser vendido. São os que dizem comente na minha resenha e concorra a um marcador. Comente em minha resenha e ganhe dois formulários na próxima promoção.
Todos as citações, e todas as frases citadas aqui podem ou não ser fatos, ou seja, podem ou não realmente ter ocorrido. Não digo que todos os blogs não são dignos de créditos, e sim que pela blogosfera encontramos blogs idênticos, e os que são diferentes são os que fazem sucesso.
Pode ser que tenha escrito uma calúnia, ou tenha errado em dar minha opinião em certas partes. Mas essa, como já disse e torno a repetir, é a minha opinião, deixa a sua nos comentários.
Obs: Sinta-se livre nos comentários para discordar. E se gostar ou quiser saber mais de minhas opiniões siga o blog e (ou) inscreva-se no feed. O próximo Minha Opinião falará sobre os polêmicos spams.
Enfim, porque criar um post inovador, se é muito mais fácil, copiar um qualquer e mudar algumas palavras. A blogosfera é cheia de blogs iguais e sem criatividade nenhuma, o que você encontra em um blog encontra em outro com uma frase a menos.
Odeio ainda mais aqueles que dizem que “Fazemos tudo pelo leitor”, deixamos de ser hipócritas, você pode até se interessar pelo leitor, pois é ele que sustenta seu blog, mas é muito difícil você se preocupar mais com ele do que com si próprio.
E existe também os sem opinião própria, vou dar um belo exemplo, pegue cinco blogs dos quais você segue, e procure por A Esperança, se pelo menos três destes tiverem uma tag sobre, você pode aceitar que estou com a razão. E se existir mesmo esse número, peço que você leia os três, (ou mais) e me diga se as palavras não são parecidas.
E é exatamente por isso, que não posto todos os lançamentos, geralmente nem os posto, para não cair na mesmice de todos os blogs, tem alguns ainda que agrupam os lançamentos, em fotos. Voltamos ao ponto de “furtar” as palavras e somente modificar.
E o tipo vendável, o qual é fácil achar, geralmente é aquele que seu blog não tem essência e que só está ali para ser vendido. São os que dizem comente na minha resenha e concorra a um marcador. Comente em minha resenha e ganhe dois formulários na próxima promoção.
Todos as citações, e todas as frases citadas aqui podem ou não ser fatos, ou seja, podem ou não realmente ter ocorrido. Não digo que todos os blogs não são dignos de créditos, e sim que pela blogosfera encontramos blogs idênticos, e os que são diferentes são os que fazem sucesso.
Pode ser que tenha escrito uma calúnia, ou tenha errado em dar minha opinião em certas partes. Mas essa, como já disse e torno a repetir, é a minha opinião, deixa a sua nos comentários.
Obs: Sinta-se livre nos comentários para discordar. E se gostar ou quiser saber mais de minhas opiniões siga o blog e (ou) inscreva-se no feed. O próximo Minha Opinião falará sobre os polêmicos spams.
Categories
Histórias

quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Promoção #3
Olá, eu participei de uma promoção de contos e agora é a hora da votação então, peço ajuda a vocês. Se um dos meus contos ganharem, eu ganho livros e marcadores. E se eu ganhar eu SORTEAREI um desses livros aqui no Blog. Então peço ajuda, o que vocês tem que fazer é ir lá embaixo da página que eu vou mandar e clicar em curtir. (Não precisa ter facebook, é só ir e clicar na estrelinha) as páginas são essas:
http://srcastelo.com/livrodosdias/?page_id=957
http://srcastelo.com/livrodosdias/?page_id=561
Façam o mesmo nas duas, por favor. OBRIGADO.
Categories
Histórias

quarta-feira, 6 de julho de 2011
A Cabeça do Décimo Terceiro #1
Prólogo
—Você sabe que nunca mais vai ver o pôr do sol se disser
não?
—Nunca gostei do pôr do sol.
—Nunca mais vai ver a vida.
—Depois de tantos milênios acho que já enjoei dela.
—Então a resposta é não?
—Sim, demônios devem ficar onde sempre estiveram.
—Mesmo que para isso tenham de morrer muitos soldados, pais
de família?
—Não venha com sentimentalismo, você mesmo já matou mais do
que se consiga contar.
—Matei por que tinha honra.
—Honra pelos
demônios.
—Honra é
honra não importa de onde venha ou se dirija.
—Isso não é
problema meu.
—É mais do
que você imagina, muito mais.
—Se eu
aceitasse, qual seria meu papel?
—Não se faça
de bobo, você sabe que para abrir um portal é preciso dos Treze.
—E o que eu
ganharia?
—Honra.
—Por você ou
pelo demônio?
—Minha, mas
se serve para consolá-lo eu já fui um demônio.
—Quando será?
—Na noite
mais longa do ano.
—O demônio vai
precisar sugar forças, quem serão os atributos?
—Prisioneiros
de guerra, humanos imprestáveis.
Décimo Terceiro virou, abriu suas asas brancas afiadas, tinha asas,
tinha coração, não era um anjo, na verdade estava muito longe disso.
Chegou ao que ele
chamava de casa, e iria dormir, não por necessidade, poderia ficar milênios sem
dormir, como fizera em tempos remotos, na época que anjos e demônios ainda
dominavam a terra. Foi dormir, e um rápido pensamento lhe passou á cabeça, essa
poderia ser a última noite que conseguiria dormir bem, e ele tinha razão. Pensou
que algo muito ruim estava para acontecer. Ele acertou.
Categories
Histórias

Assinar:
Postagens (Atom)

